
Nada como um feriadão como Carnaval para, quem não curte muito a coisa, aproveitar para colocar em dia muitas coisas que deixamos de lado por falta de tempo. Como o sol não está brilhando por aqui (pois é... a Terra da Luz está nublada e chuvosa, só porque estava nos meus planos uma prainha básica...hehe), e como não curto carnaval e desfiles de escola de samba, aproveito prá arrumar umas coisinhas aqui em casa e até curtir um filminho alugado com amigos queridos. Mas abrindo um parêntese aqui, a Gaviões da Fiel fez bonito no sambódromo,ah...fez! Estava linda!!
Mas o que vou falar aqui nada tem a ver com o que falei até agora.
Quero é comentar o problema de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências. A gente ouve falar muito sobre isso mas, sentir a dimensão real do problema, a gente só sente quando tem no convívio alguém com esse tipo de problema. Falo sobre isso aqui em Fortaleza porque é aqui que moro, mas tenho a noção de que isso é geral no Brasil. Por mais campanhas que existam, ainda é muito deficiente a adaptação dos lugares para esse público. Como minha mãe hoje é uma cadeirante, devido à degeneração dos ossos, comecei a vivenciar esse mundo, que aos olhos dos não cadeirantes, parece estar bem adaptado.
Se saio para levá-la dar uma volta na Av. Beira Mar, existem rampas de um lado da rua mas, do outro lado, a guia é só rebaixada e com um desnível que, se não houver ajuda de mais alguém, a cadeira vira, trava e não passa. Calçadas com piso decorativo de pedras que trepidam de uma maneira que mais parece que a cadeira vai desmontar e, quem está nela, também!
Se vamos ao shopping e ela precisa ir ao banheiro, existe um “pseudo banheiro” de deficientes onde, se o cadeirante entra, é um horror prá conseguir ir ao vaso sanitário, já que a cadeira cabe no banheiro, mas não dá acessibilidade suficiente para a pessoa sair dela para ir ao vaso.
Resultado: para ela, o ato de sair de casa se transforma num momento de muito mais insegurança que lazer.
Por ter idade, ela precisa de exames rotineiros e, no hospital, muitos exames têm que ser feitos em cima de mesas altas, com aqueles degraus para o paciente subir. Isso já gera mais um problema, já que cadeirantes não sobem degraus e, geralmente, só há uma pessoa para preparar para o exame.Hoje em dia existe tanta tecnologia em hospitais e ninguém pensou em colocar, em todos eles, mesas de exame que possam ser baixas e com possibilidade de serem elevadas por acionamento elétrico para esse tipo de paciente?
Isso que estou apontando aqui é um milésimo dos problemas existentes na vida dessas pessoas, até porque, pela idade dela, as saídas são sempre acompanhadas por mim.
Aí me pergunto: E os cadeirantes mais novos, que andam sozinhos??? Como será que eles se viram, nesse contexto de falta de providências reais para a solução dessas falhas? Sinceramente não sei! Está mais do que na hora de se pensar com mais carinho nesse público, que, se já não se sente muito feliz de estar nessa condição de semi-dependência (como no caso de minha mãe), ainda acaba ficando mais excluído de muitas coisas que, com um pouco mais de atenção dos órgãos reguladores desse segmento, poderiam estar mais incluídos na sociedade.
E... bom descanso ou não...hehehe...nesse resto de carnaval!!